O estresse e a preocupação fazem parte da resposta natural do nosso corpo diante de desafios do cotidiano. No entanto, esses sentimentos podem se tornar problemáticos quando se tornam permanentes, afetando o sono, a concentração, o desempenho profissional e as relações interpessoais. Reconhecer esses sinais é vital para evitar que o sofrimento emocional se agrave.
No Dia do Psicólogo, celebrado em 27 de agosto, a reflexão sobre saúde mental se torna ainda mais pertinente. De acordo com a psicóloga Daise Rodrigues, da Hapvida, é importante entender que nem todo estresse é sintoma de um transtorno. Contudo, a intensidade e a duração dos sintomas merecem nossa atenção.
“O estresse é uma resposta natural do organismo às exigências do dia a dia. O problema surge quando essa resposta se torna frequente e começa a prejudicar a vida cotidiana”, explica a especialista.
Entre os sinais que indicam a necessidade de buscar ajuda estão alterações no sono, irritabilidade, dificuldade de concentração, preocupação constante, falta de energia, desânimo e a perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas. Além disso, a ansiedade pode se manifestar fisicamente, com sintomas como tensão muscular e aceleração dos batimentos cardíacos.
Diferentemente do estresse e da ansiedade, o burnout apresenta características distintas, estreitamente ligado ao ambiente de trabalho. Essa síndrome é marcada por exaustão extrema, distanciamento emocional das atividades profissionais e a sensação de incapacidade ou queda na produtividade.
“No burnout, a pessoa pode sentir um esgotamento tão profundo que se torna emocionalmente distante do trabalho, sem energia, e acredita não ser mais capaz de desempenhar suas funções como antes. É crucial observar esses sinais e não normalizar o sofrimento”, alerta Daise Rodrigues.
Procurar ajuda psicológica não deve ser uma atitude tomada apenas em momentos críticos. O acompanhamento pode ser uma ferramenta preventiva. Cuidar da saúde emocional envolve reconhecer limites, estabelecer momentos de pausa, manter uma rotina de sono saudável, cultivar relacionamentos positivos e desenvolver habilidades para lidar com pressões.
“Cuidar da saúde mental não é uma atitude a ser tomada apenas em crise. A psicologia também atua na prevenção. Buscar o autoconhecimento e aprender a identificar os próprios limites são passos fundamentais para cuidar da saúde emocional”, ressalta a profissional.
Um dos principais desafios ainda é desmistificar a ideia de que procurar um psicólogo significa estar doente. O acompanhamento profissional pode ser benéfico em diversas fases da vida, ajudando as pessoas a entender suas emoções, lidar com mudanças e conflitos, e desenvolver um cotidiano mais equilibrado.
A atenção à saúde mental deve se estender também ao ambiente de trabalho. Empresas e instituições desempenham um papel crucial na promoção de ambientes saudáveis, que incentivem o diálogo, respeitem limites e valorizem o bem-estar dos colaboradores. No setor de saúde, essa discussão é ainda mais relevante, já que os profissionais lidam diariamente com situações que exigem cuidado e responsabilidade pela vida de outras pessoas.
Uma das iniciativas da Hapvida é o projeto “Acolher Quem Acolhe”, que promove encontros presenciais com equipes de várias áreas. O objetivo é criar um espaço para a conexão e reflexão sobre propósitos e valores, além de compartilhar experiências e discutir o cotidiano de quem está na linha de frente do cuidado.
Esses encontros buscam ampliar a visão para além das funções profissionais, incentivando uma reflexão sobre o papel de cada um na experiência dos pacientes. É fundamental lembrar que, por trás de cada profissional de saúde, há também uma pessoa que precisa ser vista, ouvida e acolhida.
No Dia do Psicólogo, a mensagem reforça a importância de estar atento aos sinais do corpo e das emoções. Reconhecer quando algo não vai bem e buscar apoio são atitudes de cuidado e prevenção, tanto na vida pessoal quanto no ambiente profissional.

