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Da tela à intimidade: como a obsessão pelo corpo perfeito está destruindo relacionamentos!

redacao by redacao
28/08/2026
in Últimas Notícias
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Da tela à intimidade: como a obsessão pelo corpo perfeito está destruindo relacionamentos!

Foto: reprodução / Freepik

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Em um momento íntimo, a presença física pode ser ofuscada por uma mente que se distrai, distante. Enquanto o corpo está ali, a mente se perde em comparações com padrões de beleza impostos, frequentemente reforçados pelas redes sociais. Em vez de desfrutar do momento, a pessoa se vê consumida por preocupações sobre barriga, estrias e cicatrizes, vivenciando um “desaparecimento” emocional durante o sexo, onde a sensação de estar sendo observada se torna predominante.

Esse fenômeno, que pode não ter relação direta com a imagem do corpo, é explorado pela psicóloga e psicoterapeuta Roberta Ribeiro Pinto, da Hapvida. Em setembro, quando se celebram o Dia Mundial da Saúde Sexual, em 4 de setembro, e o Dia do Sexo, em 6 de setembro, a discussão sobre a autoimagem, autoestima e sexualidade ganha destaque, especialmente em meio à campanha Every Body 2026, que desafia os padrões corporais considerados “normais”. No entanto, essa questão vai muito além de uma simples data comemorativa.

Segundo Roberta, “a maneira como uma pessoa se percebe impacta diretamente suas relações, incluindo a intimidade. A forma como eu me vejo influencia como os outros me veem. Portanto, transformar essa visão negativa sobre si mesma é fundamental para retomar uma vida sexual saudável”.

A pressão para se encaixar em ideais de beleza pode ser intensificada pela constante exposição a imagens de corpos perfeitos e relações ideais nas redes sociais. “Essas referências tornam-se uma régua para avaliar o próprio corpo e a capacidade de ser desejado. O cérebro humano, sendo predominantemente visual, aprende e se ajusta conforme as imagens que consome”, explica a psicóloga.

Esse estado de comparação pode levar a uma preocupação excessiva com a aparência durante momentos de prazer, fazendo com que a pessoa evite certas posições ou até relações inteiras. “Imagine alguém que, ao ver constantemente vídeos de sucesso e corpos perfeitos, acaba se sentindo inadequado no momento íntimo, o que pode resultar em falhas ou até na escolha de evitar esse tipo de interação”, acrescenta Roberta.

Aparência e performance

O impacto da idealização da aparência não se limita ao visual; ele também se estende às expectativas sobre desempenho sexual. De acordo com a psicóloga, essa pressão é frequentemente mais sentida por homens, que podem se sentir compelidos a corresponder a padrões irreais de desempenho. “A visualização constante de conteúdos sobre sexo pode criar uma expectativa de como uma relação ‘deveria’ ser, dificultando a vivência do momento real”, alerta Roberta.

Essa busca por atender expectativas pode levar a um uso incorreto de medicamentos para melhorar o desempenho sexual, o que apresenta riscos que vão além da vida íntima.

Mudanças naturais

Transformações na imagem corporal são naturais e ocorrem em momentos da vida como gravidez, menopausa, andropausa e envelhecimento. “Para quem passou anos construindo uma referência de seu corpo, perceber mudanças pode impactar a autoestima e a sensação de desejo. Entretanto, essas mudanças são parte do ciclo da vida”, ressalta Roberta.

Ela enfatiza que ter referências positivas e um espaço seguro para discutir inseguranças é crucial. “O autoconhecimento envolve reconhecer que o corpo não é fixo”, conclui a profissional.

O elogio ajuda

A reconstrução da relação entre corpo e mente não precisa ser uma jornada solitária. O papel do parceiro ou parceira é fundamental na criação de um ambiente de segurança e afeto. “Todos nós gostamos de ser elogiados e amados. Compartilhar momentos íntimos e discutir o que agrada ou incomoda pode ajudar a desviar a atenção da performance e focar na conexão emocional”, sugere Roberta.

Ela finaliza afirmando que essa conexão é essencial, pois a saúde sexual está intrinsecamente ligada à saúde mental.

Sentir-se desejável

O desejo de cuidar da aparência ou realizar mudanças corporais não é um problema em si; o que importa é a motivação por trás dessas mudanças. “É fundamental que essas transformações sejam escolhas pessoais, e não uma imposição de padrões externos para se sentir desejado”, afirma a especialista.

Para Roberta, romper com essa lógica implica em aceitar que o corpo evolui ao longo da vida. “O segredo é reconhecer essas mudanças sem permitir que elas definam o valor ou a capacidade de viver plenamente a sexualidade. O objetivo maior é estar presente, tanto para si quanto para o outro”, conclui.

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